sábado, 7 de janeiro de 2012

REFLEXÕES ESPÍRITAS: Piedade filial

Capítulo 14 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec” – Honrar Pai e Mãe – itens 1 a 4 – Piedade filial.

 
Allan Kardec nos esclarece: “O mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe”, é uma consequência da LEI GERAL DA CARIDADE E DO AMOR AO PRÓXIMO, porque não se pode amar ao próximo sem amar aos pais”

Podemos dizer que se os estranhos, amigos e conhecidos são O NOSSO PRÓXIMO os pais e parentes que nos compartilham o lar são em verdade O PROXIMO MAIS PRÓXIMO pois foram por DEUS situados ao lado dos nossos corações.

Se DEUS nos escolheu para sermos filhos exatamente desses pais, significa que temos deveres recíprocos uns para com os outros no campo do espírito.

Kardec esclarece porém outros aspectos do mandamento HONRAR PAI E MÃE: “...mas o imperativo HONRA implica um dever a mais para com eles: o da PIEDADE FILIAL. Deus quis demonstrar, assim, que ao amor é necessário juntar o respeito, a estima, a obediência e a condescendência...”

Pensamento lógico o de Kardec, para honrar não basta amar é preciso ainda mais que o próprio amor natural de filho... Precisamos agregar o respeito profundo, aquele que entende que PAI e MÃE não são seres infalíveis, mas aprendizes da vida como vocês e eu.

Não basta aquele amor de filho e filha que tem natural reverência aos que lhe colocaram no mundo. Estima e obediência também lhes são devidos sempre que justas as suas diretrizes ou enquanto não lhes entendamos os cuidados que nos parecem às vezes injustiças aos sonhos e direitos da mocidade...

Desses deveres resulta, conforme ensina Kardec que temos “a obrigação de cumprir para com eles, de maneira mais rigorosa, tudo o que a caridade determina em relação ao próximo”.

Naturalmente, aqueles que estão velando ou velaram por nossa educação como se fossem nossos pais também são lembrados por Allan Kardec: “Esse dever se estende naturalmente às pessoas que se encontram no lugar dos pais, e cujo mérito é tanto maior, quanto o devotamento é para elas menos obrigatório...”

“Honrar ao pai e à mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; proporcionando-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância”.

“É sobretudo para com os pais sem recursos que se demonstra a verdadeira piedade filial.” ensina o codificador do Espiritismo, tendo em vista que na maioria das vezes a condição financeira que temos hoje muitas vezes se deve a sacrifícios que fizeram por nós no passado...

Sabemos que muitos negligenciam o DEVER DE CUIDAR DOS PAIS... Isso é digno de se lamentar... Kardec lembra que muitos dando apenas “o estritamente necessário para que não morram de fome, enquanto eles mesmos de nada se privam...” “Relegando-os aos piores cômodos da casa, apenas para não deixá-los na rua, e reservando para si mesmos os melhores aposentos, os mais confortáveis...” TRISTE E DURA REALIDADE...

Que não sejamos nós os que desamparam! Mesmo quando somos aqueles filhos que trazem marcas profundas de maus tratos e injustiças, traumas e cicatrizes da impiedade de nossos pais, por vezes severos e hostis... PERDOEMOS E AMPAREMOS.

Recordemos que se o ensinamento espírita da REENCARNAÇÃO explica muitas vezes a hostilidade de pais para com os filhos e vice-versa, não nos desobriga do dever de promover a RECONCILIAÇÃO com adversários do passado, caso os defrontemos embaixo do teto que chamamos de lar.

Muitas vezes os pais severos e repressores, violentos e violadores, que muitas vezes usam a surra a título de corrigenda mas que representam uma válvula de escape para sua agressividade descontrolada, são os mesmos inimigos que no passado sofreram de nós o mesmo tratamento e que não conseguiram sublimar seu DESEJO DE DESFORRA através da paternidade e da maternidade, e sucumbem à vingança, agredindo a prole.

Não cabe a nós condenar. Proteger a integridade da criança sempre, mas jamais condenar. Perdoar sempre, lembrando que VINGANÇA não faz parte dos propósitos divinos e que aquele que se vinga do inimigo é sempre um irmão doente que não conseguiu assimilar a chance de ser misericordioso.

Allan Kardec tratou dessa questão com muita lucidez: “Certos pais, é verdade, descuidam dos seus deveres, e não são para os filhos o que deviam ser. Mas é a Deus que compete puni-los, e não aos filhos. Não cabe a estes censurá-los, pois que talvez eles mesmos fizeram por merecê-los assim.”

O Mestre Lionês ainda acrescenta: “Se a caridade estabelece como lei que devemos pagar o mal com o bem, ser indulgentes para as imperfeições alheias, não maldizer do próximo, esquecer e perdoar as ofensas, e amar até mesmo os inimigos, quanto essa obrigação se faz ainda maior em relação aos pais!”

PERDOEMOS NOSSOS PAIS tanto quanto desejamos ser perdoados por DEUS e pelos que amamos em nossas faltas... Não sejamos ingratos jamais... “Ai do ingrato, porque ele será punido pela ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, às vezes desde a vida presente, mas de maneira certa noutra existência, em que terás de sofrer o que fez os outros sofrerem!”

Então se nossos PAIS nem sempre são bons, como agir? Kardec responde: “Os filhos, devem, por isso mesmo, tomar como regra de conduta para com os pais todos os preceitos de Jesus referentes ao próximo, e lembrar que todo procedimento condenável em relação aos estranhos, mais condenável se torna para com os pais”.

Ao tomarmos conhecimento desse dever filial de sermos piedosos e CUIDAR AMOROSAMENTE de papais e mamães, muitas vezes nosso coração se confrange pois que nesta sala muitos de nós já os vimos partir pelas portas da desencarnação... e o arrependimento que parece tardio nos deixa tristes.

DEUS em sua infinita sabedoria estabeleceu que nenhuma alma está separada neste mundo. O dom sublime da ORAÇÃO e do pedido sincero de PERDÃO pelo que fizemos ou pelo que deixamos de fazer aos nossos pais, rasga a distancia e atinge na espiritualidade aqueles corações a que desejaríamos – hoje de coração renovado – SERVIR E AMAR...

Nunca é tarde para endereçar aos papais e mamães que se encontram na espiritualidade os nossos CUIDADOS AMOROSOS na forma de oração, irradiando paz e amor a eles. Dizendo a eles o quanto hoje os compreendemos e pedindo a DEUS que nos renove em novas existências a chance de amá-los como merecem.

PAI e MÃE são o nosso PASSAPORTE para a vida material, nos facultando a chance de nos materializarmos na TERRA onde evoluiremos para a perfeição e fruiremos, mais dia, menos dia,  a FELICIDADE que desejamos.

A ELES, nossos paizinhos e mãezinhas eternos de nossa devoção, o nosso amor agora e sempre, e para aqueles dentre nós que ainda guardem magos do passado, roguemos a DEUS e a JESUS que nos abençoe com o DOM DO PERDÃO a fim de atingirmos um dia a paz de consciência que somente a PIEDADE FILIAL bem observada em nossas vidas por dar.

família da cidade de Columbus, estado de Ohio (USA), pais de sêxtuplos





Um comentário:

  1. Adorei esse blog!! Me ajudou muito a preparar o Evangelho sobre esse tema!! Obrigada!! Que Jesus nos ampare sempre🙏🙏🙏🙏

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