quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REFLEXÕES ESPÍRITAS: A Caridade segundo São Paulo


São Paulo escreve uma carta - Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Museu de Nuremberg, Alemanha.


Capítulo 15 de "O Evangelho Segundo o Espiritsmo, de Allan Kardec" – Fora da Caridade não há salvação – itens 6 a 7 “A caridade segundo São Paulo”

Certa vez Ghandi afirmou que “Se todas as escrituras cristãs se perdessem e só restasse o SERMÃO DO MONTE, nada estaria perdido, pois ele resume a essência do Cristianismo”. O mesmo podemos dizer dos textos Paulinos, se todos eles se perdessem e restasse apenas o Capítulo 13 da Epistola aos Coríntios, nada estaria perdido...
O texto de Paulo sobre a Caridade (o amor em algumas traduções) é o mais belo poema das escrituras desde o Sermão do Monte, pois coloca ao nosso alcance a total compreensão do que é o AMOR ensinado pelo Cristo.
“Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine”. Paulo compara aqui a ausência da caridade em nosso coração à frieza do metal, que apesar de ressoar melodicamente, não tem música por si mesmo...
A caridade esta para o homem como o sineiro está para o sino. É a caridade que impulsiona o AMOR em potência na alma humana à ação da bondade no mundo.
Sem as mãos que puxam a corda o sino não tine, sem o impulso da caridade manejando nosso AMOR nossas ações no mundo são estéreis... 
“E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada.”  
Paulo equipara nesse trecho a caridade ao dom da mediunidade sublime que se não for abençoada pela finalidade útil do serviço ao próximo é sem significado, assim como a FÉ que mesmo robusta e inabalável é vazia sem as obras do bem que somente a caridade é capaz de edificar.
“E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita”. Aqui Paulo esclarece perfeitamente que a Caridade deve animar todo e qualquer gesto de BENEFICIÊNCIA bem como todo e qualquer sacrifício pessoa.
Quando está ausente a caridade o gesto de ajuda de inúmeras campanhas, iniciativas de benemerência e obras de filantropia, o benefício se restringe à ESMOLA que auxilia, mas ultraja e faz sofrer, humilha e tira a dignidade.
“A caridade é paciente”, ensina o apóstolo a nos lembrar que a bondade de compreender o ritmo de cada um é grande dádiva que podemos fazer pra com quantos façam parte de nossa vida.
“A caridade é benigna”, continua Paulo, lecionando que a bondade é a própria alma da caridade que se movimenta impulsionada pela grandiosidade da alma sem que se dê conta dessa grandeza.
“A caridade não é invejosa” – poderíamos imaginar o AMOR sentindo inveja, uma vez que o AMOR é tudo e tudo alcança e constrói?
...“A caridade não obra temerária nem precipitadamente”. A caridade é segura de si mesma, pois conhece que só o bem pode produzir, despreocupa-se deliberadamente do FRUTO de suas ações, pois que na CARIDADE a semeadura não espera colheita, mas apenas SERVIR E PASSAR...
Muitas vezes nos queixamos FIZ TANTO POR FULANO E RECEBO ISSO EM TROCA? Com certeza não foi Caridade... A Caridade nada espera, porque quer apenas a alegria de ajudar. Por isso Paulo ensina que ela “não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses”...
Quem está na trilha da caridade deve colher a recompensa do tesouro de seu próprio coração na forma de consciência tranquila e felicidade intima, porque GRATIDÃO e RECIPROCIDADE não são moedas que busca quando o genuíno e caridoso amor nos ampara.
Na caridade a serenidade nos envolve inteira, porque conscientes de que agimos embalados por ideais superiores não alimentamos irritação ou desconfiança. Razão porque Paulo afirma que a caridade “não se irrita, não suspeita mal”.
A caridade tem total senso de justiça, porém não julga nem discrimina, AJUDA sem perguntar quem é, porque sofre, como chegou até tal ou tal situação... A CARIDADE tem a VERDADE em si mesma, porque é consubstanciada no afã de colaborar: “não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”. Continua ensinando Paulo de Tarso.
“Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre”. Os anjos da caridade que o mundo conheceu foram capazes dos maiores sacrifícios a fim de cumprirem seu mandato de amor na Terra. São modelos a seguir e estímulos à perseverança no bem em todos os tempos...
Vidas como a de Chico Xavier, Vicente de Paula, Tereza de Calcutá, Irmã Dulce da Bahia e tantos ouros são cartas magnas da caridade que o céu envia à Terra para que nossa bússola não perca o rumo na direção do AMOR INCONDICIONAL.
Escultura de Murilo Sá de Toledo, Praça da Sé, SP   
A caridade nunca jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar às profecias, ou cessem as línguas, ou seja, abolida a ciência”. Arremata o doutor de Tarso – A caridade, por se traduzir no próprio AMOR jamais cessa porque o AMOR é a própria essência de que são formadas as esferas e cada partícula que viaja no universo sem fim... Por isso mesmo João Evangelista afirmou em síntese preciosa: DEUS É AMOR! Por isso mesmo a caridade jamais terá fim.

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