segunda-feira, 24 de abril de 2017

Reflexão do EVANGELHO NO FACEBOOK de 23 de Abril de 2017: Capítulo 5 – Bem Aventurados os Aflitos – item 22 - UM HOMEM DE BEM TERIA MORRIDO

TEMA: Capítulo 5 – Bem Aventurados os Aflitos – item 22 - Um homem de bem teria morrido


Essa Instrução Espiritual sob nossa reflexão, traz a assinatura de Fénelon, sobre o qual nos conta a Wikipedia: François Fénelon, pseudônimo de François de Salignac de La Mothe-Fénelon (6 de agosto de 1651 - 7 de janeiro de 1715), foi um teólogo católico, poeta e escritor francês, cujas ideias liberais sobre política e educação, esbarravam contra o "status quo" da Igreja e do Estado dessa época. Pertenceu à Academia Francesa de Letras.

Ele inicia a sua mensagem citando um ditado comum em todas as épocas, quando alguém de má reputação ou mau caráter sofre um atentado, um acidente, um grande perigo ou uma doença e sobrevive, costumamos dizer: “Se fosse um homem de bem teria morrido”.

Isso porque em nosso “senso comum” cremos que DEUS leva para si os bons, deixando na Terra condenados a viver com os maus.

Fénelon diz que esse pensamento é justo, uma vez que DEUS em sua justiça e misericórdia não prolongaria a pena de um homem que “já cumpriu sua sentença”,

Na Terra, estagiamos nós os espíritos ainda retardatários no progresso moral, de sorte que uma vida longa sobre a Terra também significa uma grande oportunidade de repararmos os erros de nosso caráter e progredirmos espiritualmente.

Naturalmente que não podemos generalizar extrapolando em concluir que todos os anciões são espíritos comprometidos com a Lei de Deus enquanto todos os que morrer precocemente seriam os mais adiantados.

Assim como há aqueles nobres espíritos que rogam a Deus uma vida longa, ou mesmo o prolongamento de suas existências para que possam mais e melhor servir à humanidade; há também em maior medida aqueles partem precocemente da vida por seus abusos, vícios, e outros equívocos do comportamento imaturo ou mesmo criminoso.

Então o ditado não serve de regra, é mero pretexto do grande ensaísta Fénelon para nos deixar um ensinamento ético-moral.

A expressão, porém, revela o nosso egoísmo e nosso equivoco ao desejar na Terra a morte dos maus e a permanência dos bons, Ensina Fénelon: Cometeis então um grande erro, porque aquele que parte terminou a sua tarefa, e o que ficou talvez nem a tenha começado. Por que, então, quereis que o mau não tenha tempo de acabá-la, e que o outro continue preso à gleba terrena?”

A maneira maniqueísta como pensamos, classificando os que nos cercam em bons ou maus, justos e injustos, positivos ou negativos, denota infantilidade e visão estreita sobre a vida.

Todos os que nos cercam carregam consigo a centelha divina do amor que mais cedo ou mais tarde irá irromper, seja pelas dores do sofrimento, seja pelo amor que nasce da compaixão, todos nós passaremos da condição de “mais ou menos maus” para a condição de “mais ou menos bons”.

É isso! Na Terra não somos absolutamente maus ou bons, somos mais ou menos. O esforço pessoal para progredir e a resignação perante o sofrimento que é consequência natural dos embates do Espírito que já escolhe a senda do progresso, é que vai nos distinguir do “homem velho” que fomos ontem quando a ignorância nos protegia de nossos desatinos.

Então quando julgamos os outros, desejando-lhes castigos ou a morte, estamos em verdade lavrando uma sentença contra nós mesmos, pois estamos declarando à VIDA: 1) Quem errou merece ser castigado. 2) Não acreditamos em educação nem regeneração, mas sim em castigos e punições. 3) Quando agirmos equivocadamente, merecemos CASTIGO  não compreensão. Merecemos sofrer e não educação...

Gente, gente, gente... vamos devagar com os julgamentos e condenações. Jesus ensinou essa lei quando afirmou que “com a mesma medida que julgardes sereis julgados”... Ele estava dizendo: Cuidado com as condenações... Melhor é o amor, melhor é a compreensão, melhor é a compaixão.

Nosso atual estágio na Terra é um convite diário a tomarmos POSIÇÃO perante o comportamento do outro. Ignoramos quais as dificuldades do outro, as tentações que ele sofreu, o quando ele se esforçou para não erra mais do que errou...

Mesmo conscientes de que IGNORAMOS todos os lances daquele drama íntimo que culminou com o erro, crime ou equívoco, nos apressamos em OPINAR que muitas vezes é tão somente JULGAR a outra criatura...

Aquele é corrupto, tem que ser preso... aquele é criminoso, tem que ser punido... aquele outro é pedófilo, tem que sofrer e morrer... não vamos entrar nesse jogo amigos e amigas. Uma coisa é fazer uma APRECIAÇÃO dos fatos para aprendermos com eles, outra coisa é nos ESCANDALIZAR com a conduta que muitas vezes não nos diz respeito e que não possuímos GABARITO MORAL para julgar e condenar.

APRECIAR um fato é olhar todos os ângulos e perceber que HOJE eu não agiria dessa forma, saber que AGORA temos uma moral diferente daquela que estamos observando, que FUTURAMENTE podemos escorregar em nosso valores e cometer deslize semelhante, em proporções maiores ou diminutas...

Assim quando dizemos que não julguemos, não estamos recomendando COMPACTUAR COM O MAL, mas sim APRECIAR a questão do ponto de vista espiritual, sob a ótica do Espírito imortal, que vive diversas vida a fim de lentamente progredir.

Não julgar não é aprovação do erro, mas uma opção pela MISERICÓRDIA. Os equivocados e equivocadas perante as Leis de deus, já carregam em si a condenação de sua consciência que um dia despertará, bem como o tormento de arcarem por si mesmos as consequências de seus atos e repará-los, restituindo o equilíbrio às leis cósmicas que pessoalmente transgrediram.

É assim com os outros, é assim conosco. Então o mais sábio é, perante o comportamento criminoso, exaltarmos a MISERICÓRDIA e a EDUCAÇÃO. Saber que aquele espírito que hoje está à mercê da cadeia, da condenação, da execração pública é nosso IRMÃO ou IRMÃ e que será um Espírito perfeito, ao final de sua jornada evolutiva, tanto quando nós.

Gosto de fazer essa proposta didática: “Se o seu filho fosse um ladrão de frutas pego em flagrante, qual a CONDENAÇÃO que você lhe lavraria? Ouvir um belo sermão, repetir as lições sobre a honestidade e respeito ao que é dos outros, fazê-lo reparar o erro devolvendo as frutas ou mesmo prestando algum serviço àquele que foi lesado... OU você condenaria seu filho à prisão perpétua, desistindo de EDUCÁ-LO?

Pois é! DEUS é muitas milhares de vezes, aliás, infinitamente, mais misericordioso do que eu e você. Se nós não lavraríamos uma sentença absurda contra nossos filhos, porque DEUS lavraria contra os filhos dEle, que são cada criminoso que sabemos, e que são em verdade nossos irmãos perante Paternidade Celestial?

Dia virá em que o SISTEMA PENAL no Planeta Terra será uma Universidade do Caráter, habilitado a restituir à sociedade homens e mulheres de bens, após a REEDUCAÇÃO adequada às infrações legais que cometeram.

Nos PLANETAS DE REGENERAÇÃO é assim. E é para essa categoria de Planeta que a Terra está transitando, então não JULGUEMOS NEM CONDENEMOS, antes eduquemos com nosso exemplo de conduta.

Fénelon encerra sua curta mensagem com um parágrafo em que cada frase merece uma reflexão especial...

·        “Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender, e crede que Deus é justo em todas as coisas”.  – De nada adianta nossa revolta que geralmente é fruto de nossa ignorância dos fatos que regem a vida. Tudo0 está certo e equilibrado sob a tutela paternal de Deus.
·        “Frequentemente, o que vos parece um mal é um bem”. – a doença é enfermeira da alma, a morte a libertação para a vida verdadeira, a solidão ensina a valorizar os afetos, a privação uma educadora de economia, a abastança um teste de parcimônia... Tudo na vida trabalha para a nossa Educação e para o nosso mais perfeito BEM.
·        “Mas as vossas faculdades são tão limitadas, que o conjunto do grande todo escapa aos vossos sentidos obtusos”. – Encarnados, sofremos o restringi mento de nossa cidadania espiritual que trazemos das múltiplas existências. Aquilo que não compreendemos hoje saberemos a razão e o porquê na Pátria Espiritual, e termos oportunidade de louvar a sabedoria de Deus e a justeza da vida.
·        “Esforçai-vos por superar, pelo pensamento, a vossa estreita esfera, e à medida que vos elevardes, a importância da vida terrena diminuirá aos vossos olhos”. – A prece e a meditação são exercícios do pensamento que nos colocam em sintonia com a sabedoria de Deus e nos ajudam a compreender o que nos figura hoje um enigma ou mistério. Usemos a oração, a leitura edificante, a meditação demorada sobre o Evangelho e conquistaremos a elevação, ainda aqui na Terra, para compreender muitas coisas que agora ignoramos.
·        “Porque, então, ela (a existência terrena) vos  aparecerá como um simples incidente, na infinita duração da vossa existência espiritual, a única verdadeira existência”. - Somos todos Espíritos imortais fadados à perfeição. Respeitemos o nosso ritmo de aprendizado e o dos que nos cercam. Cada um tem sua marcha e somente   eu e você sabemos a aspereza ou maciez do solo que palmilhamos.

CONFIEMOS EM DEUS, Ele já nos surpreendeu inúmeras vezes com sua bondade, misericórdia e justiça, e com a brandura de nosso coração e a pacificação de nossas almas, estaremos ainda mais preparados e sintonizados com ELE a fim de podermos receber as surpreendentes provas de amor que reserva aos seus filhos bem amados que somos todos nós.



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